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Normas de composição da editora Penguin, por Jan Tschichold

 

 

Introdução

 

Em 1947 o tipógrafo Jan Tschihold, autor de um dos livros mais importantes na história da tipografia (Die neue Typographie, A nova tipografia, de 1928) e um dos grandes responsáveis pela atualização da arte, adequando-a aos valores estéticos do século XX, é convidado pela editora inglesa de livros de bolso Penguin Books para reformular seus padrões gráficos. Este episódio é de fundamental importância para a história dos livros, pois permitiu que um dos maiores tipógrafos da história influenciasse diretamente a cultura visual de alguns milhões de leitores da Penguin, então (e possivelmente até hoje) a maior editora do mundo.

Entre 1947-9, Tschichold tratou de estabelecer um conjunto de regras simples, aplicáveis para qualquer livro, de qualquer assunto, de qualquer autor. O objetivo principal era unir funcionalidade, clareza, beleza e rigor, o que, obviamente, equivale a obter a quadratura do círculo. Tschichold estabeleceu que cada título teria uma tipografia diferente, ou seja, diferentes fontes, o que permitiria um grande nível de liberdade e de variação mesmo com regras bastante rígidas para a composição dos textos.  Outro aspecto que Tschichold se preocupou foi com a harmonia de tamanhos e de colunas, estabelecendo tamanhos e relações fixos entre texto, capa, títulos etc.

Quanto ao visual, a distinção das coleções era feita de acordo com as cores foscas ao fundo. Tschichold teve o cuidado de não modificar radicalmente os livros da editora, mantendo a identidade das coleções, servindo mais como organizador. Um dos seus desenhos de capa mais famosos é o da coleção de clássicos da editora, feita a partir de matrizes xilográficas, com alguns ornamentos bastante simples, às vezes desenhados à mão.

No entanto, a grande contribuição de Tschichold foram  as regras de composição para o miolo do livro, apresentadas para os funcionários em uma pequena apostila de 4 páginas. Não há nada de novo nas normas propostas por Tschichold tomadas em separado, mas seu uso em conjunto influenciou de tal forma a história do livro que atualmente são consideradas quase naturais, e adotadas com uma ou outra pequena variação por inúmeras editoras, jornais e revistas ao redor do mundo. 

 

 

O Manual

 

COMPOSIÇÃO DE TEXTO

Toda composição de texto deve apresentar um espaçamento entre palavras tão pequeno quanto seja possível. Como norma, esse espaçamento deve ser ao redor da metade de um i [+/- 1/5 m] do tamanho de tipo usado. Deve-se evitar o espaçamento largo. As palavras podem ser livremente quebradas sempre que necessário para evitar o espaçamento largo, pois tal quebra é mais tolerável ao aspecto da página que o espaço excessivo entre palavras. Todos os principais sinais de pontuação, como pontos, vírgulas e ponto-e-vírgula devem ser compostos seguidos do mesmo espaço que se usa no resto da linha.

MARGEM E PARÁGRAFOS

A entrada de um parágrafo deve equivaler a um quadratim [+/- 1 m, +/- 4,2 mm em corpo 12] do corpo da fonte. Deve omitir-se a entrada na primeira linha do parágrafo de qualquer texto e ao começo de uma nova seção após um sub-título. Não é necessário compor a primeira palavra em versalete, mas, caso se faça por alguma razão, a palavra deve ter um espaçamento entre tipos tão largo quanto o dos títulos. Se o capítulo está dividido em várias partes sem indicação, estas partes devem ser separadas não apenas por uma linha adicional, mas também por mais um asterisco de corpo correspondente. Como norma, um asterisco é suficiente. Sem eles é impossível distinguir estas divisões quando uma parte termina ao fim de uma página. Inclusive, quando a última linha desta parte finaliza a página, sempre haverá espaço para um asterisco na margem inferior.

SINAIS DE PONTUAÇÃO E ORTOGRAFIA

Se puder ser feito com o teclado devem ser colocados espaços estreitos antes dos sinais de pontuação, exclamação, dois pontos e ponto-e-vírgula. Entre iniciais e nomes, como em G.B. Shaw e após qualquer abreviatura que use um ponto, deve empregar-se um espaço fixo menor que entre as outras palavras da linha. No lugar de tamanho de corpo de um quadratim sem espaço, deve-se usar tamanho precedido e seguido pelo espaço entrepalavras da linha, como acima no terceiro parágrafo. As marcas de omissão devem ser consistir de três pontos suspensivos [glifo 3 pontos, não 3 pontos seguidos]. Devem compor-se sem espaços, mas precedidos e seguidos do espaço entrepalavras. Os pontos devem ser usados com grande moderação e omitidos após as seguintes abreviaturas: Mr, Mrs, Messrs, Dr, St, WC2, 8vo, e outras que contenham a última letra da palavra abreviada [em português Sr, Sra, Dr, Sto, Cel, Mal, etc; mas: Av., R., ...]. Devem ser usadas aspas simples para a primeira citação e duplas para uma citação dentro de uma citação [em português é o contrário]. Se houver uma terceira citação dentro da segunda, retorna-se às simples. A pontuação que pertence à citação é composta dentro das aspas, em caso contrário, depois. As aspas que abrem devem ser seguidas de espaço mínimo exceto antes de A e J. As que fecham devem estar precedidas deste mesmo espaço, salvo quando terminem com um ponto ou uma vírgula. Se não puder ser feito com o teclado, omtir-se-á este espaço, mas deve ser tentado o mais adequado encaixamento. Quando se tratarem de largos extratos compostos em tipo pequeno não se devem usar aspas. Devem empregar-se parêntesis ( )para explicações e intercalações; e colchetes [ ] para notas.

VERSAIS, VERSALETES E ITÁLICAS

As palavras em versais ou maiúsculas devem sempre contar com um espaçamento entreletras um pouco mais solto. O espaçamento de maiúsculas em linhas soltas deve ser feito com muito cuidado e equilíbrio. O espaçamento entre linhas tanto em versais quanto em versaletes não deve exceder um quadratim. Todas as linhas de títulos compostas na mesma fonte devem apresentar o mesmo espaçamento ao longo de todo o livro. Devem ser empregados versaletes para títulos correntes ou para subtítulos. Serão espaçados um pouco mais que o normal para garantir sua legibilidade. Devem consistir, salvo exceções, no título da obra na página par e o do capítulo na ímpar. Os itálicos serão empregados para ênfase, para palavras e frases em outros idiomas e para os títulos de livros, periódicos ou obras de teatro que apareçam no texto. Na bibliografia e correlatos, como norma, os nomes dos autores devem compor-se em versaletes, com maiúscula, e os títulos em itálico.

ALGARISMOS

Não se deve misturar algarismo de texto (oldstyle) e linear quando se utilizar algarismos. Tanto um quanto o outro podem ser usados sempre que estejam no mesmo tipo que o texto corrido. Os números abaixo de 100 serão compostos em letras (ex. vinte e cinco). Serão utilizados algarismos quando se tratar de seqüência de quantidades fixas, como idades, etc. Nas datas se procurará usar o menor número de algarismos possível (ex. 1947-8, e não 1947-1948) e dividir por hífen, sem espaço.

REFERÊNCIAS E NOTAS

A referência a uma nota de pé de página pode ser feita mediante um asterisco no corpo da fonte utilizada se houver poucas citações no livro e não mais de uma por página. Mas se houver duas ou mais em cada página, utilizar-se algarismos indexados, precedidos de um mínimos de espaçamento. Não se empregarão para estas referências algarismos lineares se o texto principal estiver em algarismos de texto. Tanto um como outro estilo serão empregados em harmonia com o texto principal. Para livros compostos em qualquer algarismo de texto recomendamos na hora de resolver este problema o Monotype Superior Figures F627, dois pontos menor que o corpo do texto principal. As notas de pé também devem ser compostas em dois pontos menos que o texto. A entrada da primeira linha deve ser a mesma que a do texto principal e manter-se no resto das linhas. Para a numeração das notas deve-se usar algarismos lineares e seguidos de ponto e de um quadratim de espaçamento. Estes algarismos podem ser ordenados por capítulos ou pela obra completa.

NUMERAÇÃO

Como norma os folios serão compostos no mesmo corpo e tipo que o texto principal, e em algarismos arábicos. A paginação deve começar na primeira página do livro, mas a numeração, ou seja, o folio, aparecerá no verso da primeira página de texto. Quando houver matéria preliminar cuja extensão é desconhecida no momento de compor o texto principal é conveniente utilizar algarismos romanos em caixa baixa, desde a primeira página da primeira folha. A primeira que então aparecer não pode ser definida com exatidão, mas pode ser na página dos agradecimentos, ou ao menos na segunda página do prefácio. Neste caso, o primeiro folio arábico será o 2 no verso da primeira página de texto.

 

 

Estrutura do livro impresso
Os livros devem, com algumas exceções, respeitar à seguinte ordem:


1. Páginas preliminares.
1.1. Folha de rosto.
1.2. Frontispício.
1.3. Portada.
1.4. Página de créditos: ISBN, data da edição, copyright, etc.
1.5. Dedicatória.
1.6. Agradecimentos.
1.7. índice.
1.8. Lista de ilustrações.
1.9. Lista de abreviaturas.
1.10. Prefácio ou prólogo.
1.11. Introdução.
1.12. Erratas.

2. O texto do livro.

3. Elementos adicionais.
3.1. Apêndice.
3.2. Notas do autor.
3.3. Glossário.
3.4. Bibliografia.
3.5. Índice onomástico e de matérias.

Todos os elementos acima devem começar em uma página ímpar, salvo os créditos e o frontispício. Como norma, os títulos de capítulo devem ter várias linhas de sobra. As páginas preliminares devem ser compostas no mesmo tipo que o texto principal e devem ser evitados os tipos em negrito. O índice onomástico ou de matéria será composto em um tipo um par de pontos menor que o texto corrido. A primeira palavra de cada letra do alfabeto será composta em versaletes com maiúscula.

 

 

A bíblia de Gutenberg e os In quarto de Shakespeare no Treasures in full da Biblioteca Britânica

 
genesis

Este site ligado à Biblioteca Britânica dá acesso aversões digitalizadas de manuscritos e incunábulos renascentistas. O destaque são os projetos de digitalização, os Treasures in full, com versões fac-símiles da Bíblia de Gutemberg, dos Cantembury Tales de  Chaucer, e das primeiras edições, os in quarto, de Shakespeare, entre outros livros.  Vale a pena conferir A Bíblia Morgunciana, a bíblia de  Gutemberg, de 1455, possivelmente o livro mais legendário da história ocidental. Seus caracteres góticos pertencem ao alvorecer da cultura tipográfica, em que a nova invenção da prensa era algo tão novo que não possuía ainda uma coleção de tipos adequados à nova tecnologia, o que só surgira alguns anos mais tarde com o Renascimento italiano e francês. Na verdade é inexato se falar em uma Bíblia de Gutenberg, na medida em que há suspeitas de que foi seu financiador e mais tarde competidor, Johann Fust, que, com o apoio de seu cunhado Peter Schöfler (também o principal ajudante de Gutenberg), terminou a bíblia e aprimorou as técnicas de impressão reunidas por Gutenberg. Fust não só teria completado a impressão da bíblia como ampliou e tornou mais dinâmica a prensa de tipos móveis inventada por Gutenberg, dando-lhe mais velocidade e resistência. A primeira obra prima bibliográfica da era dos incunábulos será impressa exatamente por Fust e Schöfler, um Saltério de 1457 com detalhes em vermelho e azul. Outra versão da história apresenta Fust como apenas um escroque que explora o trabalho de Gutemberg e rouba sua bíblia e sua oficina devido a dívidas de financiamento. O fato é que após a impressão parcial ou total da Bíblia Gutenberg desaparece para morrer no anonimato, enquanto a linhagem de Fust e Schöfler permaneceria atuante várias gerações depois. Schöfler especialmente tem um papel fundamental no desenvovlvimento da prensa: cunhou os primeiros tipos gregos, os primeiros florões e adornos especificamente tipográficos, as bases do "punchcuting" e da fundição de tipos. Seja qual for a verdade, este primeiro livro contém uma beleza única, como o antepassado de uma nação inumerável.

Treasures in full

 
 

 

O casamento de céu e inferno,de William Blake

 
 

 

O casamento do céu e do inferno  é possivelmente a obra mais conhecida de William Blake, sem dúvida pelo senso de humor herético que o título e a própria obra carregam. O documento que disponibilizamos é um fac-símile da obra  original iluminada e ilustrada por Blake,  e corresponde às matrizes originais segundo pudemos confirmar naquele que é possivelmente o melhor site de referência sobre a obra de Blake, o portal The William Blake archive . Recomendamos entusiasticamente àqueles que tenham interesse na obra de Blake que visitem o site, que oferece a possibilidade de acessar a íntegra da obra literária e plástica de Blake. Por exemplo, é uma experiência fundamentalmente distinta ler o texto de "Tyger", das Canções da inocência e da experiência,  como escrita pura e relacionar-se com sua versão iluminada. Apenas no segundo caso começamos a entender o alcance e a importância da ironia blakeana, algo essencial em sua obra.

Em primeiro lugar é necessário esclarecer que se referir a um  "livro" no caso da edição de O casamento... é uma simplificação. Na verdade trata-se de um conjunto de gravuras compostas e impressas entre 1790 e 1793. O processo de impressão seria o mesmo de todo o resto da obra de Blake: impressão através de matrizes metálicas talhadas, posteriormente coloridas à mão por Blake e por sua esposa Catherine. No fac-símile podemos ter uma vaga noção do que seria a textura de uma gravura blakeana, única devido ao tipo de tinta à base de cera que ele utilizava na impressão e na colocação de cores  de suas obras. Das possivelmente 15 obras impressas por Blake e distribuídas a amigos restaram 9 conhecidas, localizadas em bibliotecas americanas e britânicas.

Vale a pena chamar a atenção para o traço um pouco infantil (inclusive na construção caligráfica) que Blake utiliza para a composição do livro, bastante distinto de sua obra como pintor (decididamente visionária e "séria") e de alguns de seus livros iluminados posteriores. O diálogo e o contraste  entre texto e imagem reforçam o caráter satírico e crítico da obra, escrito em um período de grande convulsão na Europa. Em vários sentidos O casamento... é a obra de um entusiasta da revolução francesa, que mais tarde se juntaria à legião de intelectuais que se frustraram com os rumos tomados pelo regime.

A obra é um microcosmo da obra blakeana, com sua mistura de sátira política e metafísica, imaginação épica (também satírica às vezes), amor herético à mistura e ao impuro e conhecimento amoroso e  parcial  da física newtoniana. Os aforismas do inferno são possivelmente os ditados mais interessantes jamais escritos por um filho de Albion. Enjoy.

the marriage of heaven and hell (4,6 mb)

 
 

 

La Operina

Manual de Caligrafia de 1522, por Ludovico Vicentino degli Arrighi

 
 

 

La Operina, a "obrazinha", de 1522, é o primeiro manual de caligrafia impresso na era dos tipos móveis. Foi o grande responsável pela popularização da letra chamada chanceleresca (nossa itálica), e por estabelecê-la como a cursiva preferida pela tipografia.  Seu autor, Ludovico Vicentino degli Arrighi (1475-1527), foi  escriba papal e um dos calígrafos/tipógrafos que participaram diretamente na criação da cultura tipográfica ocidental durante o renascimento italiano. Ele e nomes como Claude Garamond, Nicolas Jenson e Francesco Griffo criaram desenhos  que influenciam tipógrafos até hoje, séculos depois. Arrighi pessoalmente foi responsável pela popularização e difusão na Europa (através de sua "obrazinha") do tipo específico de escrita cursiva chamado chanceleresco e que se tornaria a nossa itálica. Os quatro em conjunto são responsáveis pelos desenhos originais de uma boa parte das famílias tipográficas utilizadas hoje em dia em livros, como Garamond, Bembo, Sabon, Minion, Centaur, Palatino entre inúmeras outras. No pé de página do livro, onde se encontra a tradução do texto, utilizamos o itálico do tipo Centaur, baseado em uma cursiva de Arrighi.

Quem quiser saber mais pode consultar a página http://briem.ismennt.is/4/4.4/index.htm (em inglês, de onde retiramos as imagens para compor o livro eletrônico) do tipógrafo  Gunnlaugur Briem, que vem com um comentário bastante completo sobre a Operina e lições básicas de caligrafia: como apontar uma pena, os traços básicos, etc.

La Operina (trad. para o protuguês)  1 mb

 
 

 

Pequeno itinerário da gravura brasileira: um álbum de aprendiz

 

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O pequeno itinerário  é uma homenagem às raízes da gravura brasileiras. Um álbum ilustrado em que cada página apresenta 1 gravura, os 12 artistas presentes representam  aquilo que se costuma chamar de "gravuristas históricos" do Brasil, aqueles que foram responsáveis pela criação, estabelecimento e desenvolvimento da arte da gravura no país. Não por acaso, há uma longa linhagem de professores e alunos, de Axl Leskoschek até Adir Botelho.

O álbum apresenta aquela que é a tradição formadora da gravura brasileira, o expressionismo figurativo, a geração de artistas plásticos nascidos entre o início do século XX e a década de 30, e é preciso deixar claro que uma série de artistas tão importantes quanto os que estão presentes no álbum acabaram ficando de fora, assim como a imensa tradição da gravura ligada à cultura das feiras nordestinas, por representarem outras linhagens. De qualquer maneira, este documento se pretende como uma apresentação à obra dos artistas que figuram nele e é, acima de tudo, um álbum de aprendiz: instrumento para retomar a origem desta nossa tradição plástica para continuá-la.

Estão presentes no documento obras de:

Adri Botelho, Axl Leskoschek, Carlos Oswald, Carlos Scliar, Fayga Ostrower, Iberê Camargo, Lasar Segall, Lívio Abramo, Marcelo Grassmann, Mário Gruber,  Oswaldo Goeldi e Renina Katz.

Pequeno itinerário 7,4 mb

 
 

A editora FMR

"Il futuro è nella bellezza"

 

 

 

mundo novo

 

 

medici

 

A editora FMR vem publicando nos últimos anos alguns dos livros mais belos e impressionantes que se tem notícia. O grupo alcancou alguma celebridade ao lançar aquilo que foi chamado pela imprensa mundial como "o livro novo mais caro do mundo", La dotta mano uma edição da biografia de Michelangelo escrita por Giorgio Vasari e acompanhada de fotografias de sua estatuária. A obra foi feita através da união de um coletivo de artistas e artesãos, composto de impressores, papeleiros, encadernadores, fotógrafos, designers, escultores, professores, tipógrafos, gravuristas, com o objetivo de criar um livro de artista que reproduzisse as técnicas e o o espírito da grande tradição artesanal renascentista. Isto nos mínimos detalhes, do papel utilizado, aos couros e linhas para a encadernação, além dos instrumentos dos gravuristas e escultores. Este livro, como os outros lançados pela editora, está mais próximo a um objeto de arte do que propriamente de um livro. Esta união de esforços é financiada por uma espécie de mecenato de Marilena Ferrari, a figura de proa do grupo.

Cada obra é "comandada" por um artista plástico, geralmente um fotógrafo ou pintor, que idealiza e desenha a interação entre tipografia, elementos gráficos e visuais, e executada por literalmente dezenas de profissionais dedicados àquele livro específico. Isto garante obras de absurda qualidade, obviamente fora do alcance da grande maioria da humanidade, mas bastante consumida por colecionadores e bibliotecas (com alguma coerência: a editora dá uma garantia de 500 anos para cada livro). É preciso notar que por mais antidemocrático, ou mesmo fetichista, que sejam livros de luxo, a reverência pelos valores de civilização e a qualidade estética e técnica dos livros que surgiram até aqui torna a FMR uma inspiração para aqueles que enxergam na cultura um dos poucos consolos em um mundo, de resto, bastante decepcionate.

O site da editora, com versões em inglês e espanhol, também é ótimo, trazendo o registro detalhado através de vídeos, documentos e imagens da produção de cada obra de seu catálogo. Além de editora, a FMR funciona como um cventro cultural, agregando artistas e promovendo simpósios e exposições.